A importância do amigo imaginário

Categoria: A Psicologia e seus mistérios - por Patrícia Pires de Matos

Data: 26/09/2019


A importância do amigo imaginário



Os amigos imaginários costumam surgir entre 2 e 7 anos e, frequentemente são crianças da mesma idade que eles. Pais e educadores costumam ficar preocupados com essa questão. Mas, não há com o que se preocupar. Os amigos imaginários estimulam o desenvolvimento das crianças, podem suprir eventuais lacunas afetivas e ajudam na elaboração de questões psíquicas. O amigo imaginário é um processo psicológico necessário para que a criança possa superar uma carência afetiva de forma saudável.
Os pais precisam observar este comportamento demonstrando muita naturalidade. Entendendo que esses seres imaginários fazem parte da fase da criança, além de ter que respeitar essa necessidade ‘criativa’ e nunca brigar ou tentar impedir que os supostos amigos apareçam. A observação dos pais é importante para avaliar se este relacionamento com mesmo que a criança tenha uma amizade intensa com este amigo imaginário é preciso que tenha contato com outras crianças.
Mesmo com os amigos imaginários os pais devem levar a criança para brincar, conversar com ela, senti-la em diversas fases e situações da vida. Devem também observar até quando a criança manterá este amigo imaginário. A idade é um ponto fundamental. Caso continue ou apareça após os 7 anos, se acreditar que esse amigo realmente existe e não foi ela quem o criou, é necessário ter acompanhamento profissional.
É preciso observar também se a criança começa a se excluir muito da realidade e das outras pessoas. Pois, o amigo imaginário pode fazer com que ela se isole muito e, como esse amigo é especial em diversos sentidos, os amigos reais podem ser deixados de lado.
Para as crianças mais novas, o amigo “de mentirinha” é quase sempre um companheiro de brincadeiras que pode estar na mesa na hora das refeições, ser chamado pelo nome, mas não raramente acompanha a criança durante todo o dia. Alguns pesquisadores afirmam que todos nós temos um parceiro imaginário em um determinado estágio do desenvolvimento, só que ele não é descoberto pelos adultos e a própria pessoa normalmente não se lembra.
Como o brincar é uma experiência gratificante e saudável podemos sim deixa-los com os amigos invisíveis. Podemos ver com frequência crianças dando vida a um bicho de pelúcia ou a uma boneca de que gostam muito ao lhe atribuírem personalidade própria.
As crianças sabem muito bem que seus parceiros não são reais e que só existem em sua imaginação. Companheiros imaginários podem ter funções variadas. Algumas crianças e jovens iniciam essa amizade quando se sentem sozinhos.
Amigos imaginários apareciam principalmente quando surgiam mudanças drásticas em sua vida como, por exemplo, uma gravidez da mãe, separações dos pais, mudanças de casa ou cidade, etc.
Crianças e adolescentes compensam a realidade com a ajuda do amigo imaginário e assim combatem sentimentos de abandono, solidão, perda ou rejeição. Os amigos irão desaparecer quando a criança encontra amigos reais ou se adapta à nova situação.
Piaget (um grande psicólogo suiço) em seus estudos sobre o desenvolvimento da inteligência infantil também deparou com os amigos imaginários. Ele os interpretou como uma forma especial do jogo simbólico. Defendia a tese que em situações lúdicas uma realidade estranha seria construída: as crianças fingem e desempenham papéis. Piaget relatou sobre o amigo imaginário de sua filha de 3 anos, Jacqueline. O personagem dominou a atenção da menina durante dois meses, ajudava-a em tudo o que estava aprendendo, estimulava-a a respeitar regras e a consolava quando estava triste.
Ele não atribuiu a criação do amigo de sua filha à solidão ou a condições de vida difíceis. Via nele muito mais uma prova de criatividade e prazer comunicativo.
Estudos sobre comportamentos lúdicos comprovam que principalmente crianças maduras e psicologicamente estáveis têm amigos imaginários.
Os amigos inventados, porém, podem surgir quando a criança tem dificuldades em se submeter às regras dos adultos. Então o amigo simplesmente se permite fazer aquilo que é proibido a seu criador. E, culpam os amigos imaginários nas atitudes erradas. Deixe as crianças terem seu amigo imaginário!

Patrícia Pires De Matos – Psicóloga Cognitivo Comportamental e Hipnoterapeuta Ericksoniana
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